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Comportamento ético é condição de empregabilidade

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Comportamento ético no trabalho tem muitas vantagens

Na década de 70, os estudos do americano David McClelland tornaram-se mundialmente famosos e as organizações passaram a adotar a fórmula do CHA (Conhecimento, Habilidade e Atitude), também conhecidos como Saber, Poder e Querer. Entretanto, nos dias atuais essa fórmula tornou-se incompleta. De acordo com o artigo “A nova competência” de  Eugenio Mussak, professor do MBA da FIA, o CHA vira CHAVE, onde o “V” representa Valores, ou seja, boa conduta, moral e ética e o “E” representa Entorno, “o ambiente onde a competência encontra as condições para ser exercida”.

Trataremos agora de assuntos relacionados aos Valores. No mundo corporativo, a ética representa uma linha tênue que separa o certo do errado. São casos aparentemente simples e conjuntos de detalhes que fazem toda a diferença. Não estamos falando de casos de âmbito jurídico e penal, como furto e fraude, em que a maioria das pessoas consegue distinguir quais as atitudes corretas a serem tomadas. Analisemos qual seria nosso comportamento diante das seguintes situações:

– Um fornecedor oferece uma viagem internacional a você e sua família em troca de ser seu parceiro exclusivo nos negócios. Você aceita?

– Um colega de trabalho teve uma idéia brilhante para um projeto. Algum tempo depois, você está em um almoço sozinho com o chefe  discutindo este projeto. Ele acha a idéia ótima e pergunta quem é o autor. O que você responde?

– Após um jantar de negócios, seu chefe pede ao garçom para aumentar a nota e garantir um reembolso maior. Como você reage?

Suas respostas garantirão a conquista do emprego sonhado, a manutenção da sua posição atual e/ou o crescimento da sua carreira. As empresas visam estabelecer-se no mercado com uma postura baseada no respeito, comportamento adequado, transparência e compromisso com a verdade e, sem dúvida, querem profissionais aliados a estes conceitos e que possam, na prática, proceder da mesma forma.

Podemos dizer que o conceito de ética cresceu a partir dos anos 80, quando as rígidas hierarquias empresariais foram quebradas e os colaboradores ganharam mais autonomia. Já não cabia ao chefe dizer (ou impor) o que era certo ou errado e como proceder diante de cada situação. Esses cortes nos organogramas tiveram como consequência menos espaço para promoções, e portanto, elevou-se a disputa por cargos. Os funcionários, visando a sobressaírem-se sobre os colegas,  passaram a utilizar de artifícios como mentira, desonestidade, omissão e má conduta. Outro ponto interessante para a propagação do conceito de ética foi a expansão das transnacionais. Neste momento, a definição de ética segundo a perspectiva dos acionistas tornou-se insuficiente. Era preciso analisar o significado da palavra conduta para cada país que abrigava uma franquia ou filial e incluir esses itens no código de ética previamente estabelecido.

O código de ética, então, nada mais é do que uma relação de normas que visa orientar a conduta dos Stakeholders, que é composto por todas as partes interessadas no negócio. São exemplos: acionistas, investidores, funcionários, fornecedores, comunidade, sindicatos e Governo. Nenhum código de ética é perfeito, mas ele tem como objetivo nortear e estabelecer limites a todos os envolvidos nas transações da empresa. Portanto, em muitos casos, o código de ética é uma extensão do contrato de trabalho. Mas, vale ressaltar que o colaborador não é obrigado a aceitar esse conjunto de normas como verdade absoluta. No caso de discordar do código de ética, o funcionário pode procurar o departamento de Recursos Humanos da empresa e fazer uma crítica construtiva, oferecendo alternativas. Em último caso, quando a norma da empresa fere os seus princípios morais, a alternativa seria deixar a organização.

O comprometimento de cada individuo é essencial para o sucesso das organizações, pois são as pessoas que viabilizam e transformam os objetivos, projetos e até mesmo a ética em realidade. Desta forma, cada vez mais os recrutadores adotam o hábito de checar o passado dos candidatos ao emprego, e apenas quem possui a ficha limpa terá chance de competir nesse mercado.

A fim de fomentar o assunto ética dentro do mundo corporativo, criou-se em Campinas / SP o Instituto Brasileiro Ética nos Negócios. O público alvo dessa associação de direito privado sem fins lucrativos é o estudante e visa formar “adultos-cidadãos” eticamente responsáveis. No futuro, esses jovens serão executivos, tomadores de decisão, colaboradores e proprietários de empresas, e quanto antes aprenderem o significado e a importância da ética, maior será o benefício para todos.

Sendo assim, todos aqueles que estabelecem uma conduta empresarial de responsabilidade, além de ter a consciência tranqüila, garantem o passaporte para o sucesso.

Foto: lucianoloiola.blogspot.pt

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